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Insensível e insensato. Sem noção da gravidade da tragédia e longe da estatura suposta no exercício do cargo. A consideração é política. Só política. Mas é branda. Os fogos ceifaram vidas e bens. Surpreenderam (e surpreendem) o país pela violência. Mesmo assim, no rescaldo, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, decidiu-se pelo esforço laudatório de um governo que navega à vista, ficcionando um saldo que nem sequer teve a prudência de acautelar tanto verão que ainda há pela frente.

Fazendo fé nos dados do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais, nos primeiros 15 dias de agosto arderam em Portugal cerca de 97 346 hectares. Só nos concelhos de Arouca e S. Pedro do Sul foram consumidos 29 000 hectares. Houve aldeias isoladas e muitas casas destruídas.

Na Madeira, os fogos provocaram três vítimas mortais, mais de 1000 desalojados e, para além da floresta, consumiram dezenas de habitações.

As áreas protegidas do Parque Peneda-Gerês e da Serra da Estrela foram flageladas.

Os operacionais no terreno confessam-se poucos para tanta demanda.

O país vive no sobressalto sobre o mais que se seguirá.

E quando se suporia que fosse capaz de sopesar o óbvio – as vítimas, a absoluta destruição do património e o fim dos esforços de vida de tantos, a ação abnegada das corporações de bombeiros, o empenho solidário das populações – o ministro decidiu transformar uma comunicação justificada pelas circunstâncias num tempo de antena deplorável. O destaque foi para a “grata” notícia da “redução muito significativa” da área ardida este ano, em comparação com “anos anteriores”. Resta perguntar, em quantos hectares é que o ministro mede uma vida perdida, ou uma casa feita em cinzas?

Ou seja, intuindo a crítica, João Matos Fernandes escalou as prioridades do PS. E no topo, colocou o controlo dos danos políticos. Tudo lógico, num partido que se esforça por transformar a realidade na visão do universo paralelo em que gravita. Sucede que depois de tanto, Portugal merecia bem melhor do que a crença no “multiverso” em que se transformou a governação.

A propósito; trata-se do mesmo ministro que apela à compra de painéis solares com incentivo estatal para poupança na fatura energética, mas depois dá a cara pelo Governo na defesa das alterações inqualificáveis ao IMI, que transformam o sol e a vista em pecado e o imposto em castigo.

Portugal acordará da confabulação em que o Governo vive e algum comentário político jura ser para acreditar.

Resta saber se estaremos preparados para a ressaca.

DEPUTADO EUROPEU

Fonte: JN

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